Fotografia como forma de protesto…

O que mais curto na fotografia é que ela me permite me expressar de inúmeras formas. Recentemente, a prefeitura de Paraty cortou duas árvores da praça da matriz da cidade. O corte gerou revolta, já que as árvores haviam sido plantadas há quase 100 anos, e muitas famílias se formaram a partir de namoros iniciados sob sua copa!

A prefeitura deu uma explicação muito da mal dada, apresentou apenas um laudo genérico que indicava risco de queda de galhos mas sequer citava com exatidão quais eram as árvores que poderiam ser cortadas ou podadas, e a população segue cobrando do poder público uma resposta melhor através da página da Frente Socioambiental de Paraty

Fotografei o tronco cortado das árvores, que não tinha nenhuma indicação de doença, para arquivo do nosso jornal, mas para ser honesto, tudo indica que havia mais preocupação estética envolvida – o Cinema que se escondia atrás das árvores cortadas é um dos orgulhos da administração atual da cidade, e vale lembrar que esse ano tem eleição… além disso, o prefeito atual já foi vice de uma chapa bastante conhecida por dar visibilidade às suas obras de forma bastante ‘persuasiva’ e vem mantendo o mesmo estilo de governo.

Possuímos um blog bastante popular em Paraty, o VaiParaty.com.br, que teve cerca de um milhão de visualizações somente em 2019, e apesar da repercussão da postagem sobre o assunto no VaiParaty, senti que ainda não tinha conseguido expressar toda raiva que senti pelo corte mal justificado das árvores. A resposta veio em forma de fotografias…

Sensível ao sentimento natalino vigente no fim de ano, soltei uma foto onde o tronco aparecia discreto. Blue hour, fila cheia na frente do cinema, uma doce provocação que seria uma linda imagem institucional, não fosse  um dos troncos serrados, levemente visivel abaixo da entrada do cinema…

A foto gerou bastante discussão, a grande maioria das pessoas entendeu a provocação, e os que não conheciam a cidade, acabaram se inteirando do assunto nos comentários. Também fica evidente a óbvia falta de noção da prefeitura sobre iluminação de monumentos públicos, pela diferença de temperatura de cor das lâmpadas da fachada (aquele amarelo-esverdeado do lado direito da fachada é culpa da iluminação mal planejada…)

Mas eu ainda não estava feliz, voltei lá, recompus a cena e acabei clicando duas fotos onde meu protesto fica bem mais óbvio:

Uma delas já foi postada nas redes e gerou o burburinho esperado! Centenas de reações, o que é excelente numa cidade onde 400 votos elegem um vereador! A questão a meu ver é que eles foram cortados para dar visibilidade ao cinema. Uma simples pode e retirada de bromélias teria mantido as árvores saudáveis, na minha opinião!

Essas fotos não vão mudar o mundo, é claro. Mas se causarem uma discussão sadia e fizerem alguns políticos perceberem a importância que essas árvores tem para a população da cidade – especialmente a ponto de evitar o corte de outras no futuro – minha missão terá sido mais que cumprida. Também serão uma lembrança amarga a ser compartilhada junto a qualquer propaganda que a prefeitura tente fazer usando os possíveis novos angulos do cinema. No mínimo, servirão de ilustração para o protesto de inúmeros moradores. Apesar da raiva pelo corte não ter passado, pelo menos a alma está um pouco mais aliviada.

O intuito desse post era só isso mesmo… mostrar que fotografia pode ser trabalho, mas também pode passar a mensagem que você quiser, seja de amor, seja de protesto…

Bora clicar?
Aquele abraço!

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